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  • Andrea de Camargo Noronha

Chefes autoritários

Atualizado: 19 de Jun de 2020

Ego ou insegurança emocional?



A posição de chefia é, em tese, destinada a pessoas que se destacam pelas qualidades, competência, poder de decisão entre outros atributos que, identificados em um indivíduo, o capacitam para que seja investido de poder, inerente ao cargo – não a pessoa do chefe, uma vez que poder é prerrogativa e não privilégio – que tem a responsabilidade sobre um grupo de pessoas, o qual deve orientar na execução dos objetivos, no ambiente de trabalho, onde existem setores com tarefas específicas que necessitam de coordenação.


Autoridade é um dos requisitos de um cargo de chefia, característica esta legítima, própria de pessoas com espírito de liderança, cuja atitude inspira respeito e admiração.

A grande questão é a confusão emocional que o termo “chefe” pode despertar, principalmente em pessoas despreparadas para ocupação do cargo de chefia, no qual, além de respeito, deve ter conduta, ética, estável, capaz, não apenas em termos técnicos, mas humanos, transmitindo aos colaboradores segurança, criando engajamento e adesão voluntária aos objetivos comuns.


Mesmo em um momento de crescimento das exigências por capacidade e profissionalismo em ambientes corporativos, encontramos reiteradamente pessoas despreparadas emocionalmente exercendo cargo de chefia, ainda que aparente demonstrem capacidade técnica para o exercício profissional. Tais pessoas não deveriam assumir posições de comando, uma vez que o despreparo emocional impacta a atividade e ambiente profissional.


Autoridade é um dos requisitos de um cargo de chefia, característica esta legítima, própria de pessoas com espírito de liderança, cuja atitude inspira respeito e admiração.

O que encontramos, em muitos casos, são chefes autoritários, (que fazem uso desvirtuado da autoridade do cargo), característica oposta às qualidades desejadas para a função, uma vez que busca impor o que não é legitimo.


Autoritarismo é comum em pessoas que, com egos frágeis, repletos de inseguranças e temor de terem suas fragilidades expostas, com profundos sentimentos de incompetência e baixa auto-estima que, diante da competência de outrem, manifestam atitudes de desprezo, agressividade, arrogância, direcionadas a pessoas e equipes as quais deveriam orientar, liderar, desenvolver ambientes colaborativos e saudáveis marcados por relações de parceria.


Em um cargo de chefia, o comportamento autoritário é reforçado, uma vez que, o profissional – não qualificado para a posição –, sentindo-se incompetente, sem ferramentas adequadas ao exercício da função, reage constantemente pressionado, ainda que não o seja e, para validar seu poder, impõe um reconhecimento e legitimidade que não possui, agindo de forma hostil e agressiva, buscando equilibrar sentimentos de inadequação e incompetência.


Somado a isto, vemos constantemente atitudes predatórias de profissionais que, incapazes de conter sua ansiedade, dispensam tratamento agressivo, totalmente inadequado, um comportamento distante da ética, da atitude cordial e urbana desejáveis a um ambiente profissional.


Pessoas com este comportamento necessitam de ajuda psicológica, para que compreendam a origem de suas atitudes, dos sentimentos de menos valia e mudem seu comportamento, uma vez que suas inseguranças prejudicam as relações profissionais e, por conseguinte, seu trabalho, vida pessoal (posto que os diferentes aspectos de nossas vidas não são estanques), prejudicando a empresa e os demais profissionais que se tornam alvo de um comportamento inapropriado.

O comportamento impróprio encontra suas raízes no sentimento essencialmente de inferioridade, sentindo-se desprezada e incapaz de exercer uma autoridade, que realmente não possui. Pessoas com baixa auto-estima muitas vezes formam uma reação onde “pareçam superiores”, na verdade  mais para si do que para os outros, temendo ter desmascarados os sentimentos que permanecem ocultos em seu comportamento, de temor de serem social e profissionalmente incapazes.


O ego “inflado” funciona como um “escudo” que, sendo um mecanismo de defesa, visa “protegê-lo” do desprezo por si mesmo, intolerável de suportar, dando lugar a comportamentos e tratamentos inaceitáveis que, na verdade, projeta nos outros os traços de inferioridade que sente como pertencentes a ele mesmo;


Pessoas com este comportamento necessitam de ajuda psicológica, para que compreendam a origem de suas atitudes, dos sentimentos de menos valia e mudem seu comportamento, uma vez que suas inseguranças prejudicam as relações profissionais e, por conseguinte, seu trabalho, vida pessoal (posto que os diferentes aspectos de nossas vidas não são estanques), prejudicando a empresa e os demais profissionais que se tornam alvo de um comportamento inapropriado.


Os chefes que apresentam comportamento autoritário, agindo de forma egóica, geralmente como reflexo de inseguranças e baixa autoestima, apresentam comportamento resistentes na busca de ajuda, não reconhecendo sua necessidade. A busca de ajuda necessita de esforço e determinação, uma vez que passa pela fundamental visão honesta de suas limitações e erros. Não há como mudar uma atitude pessoal sem autocrítica.


O “pedir ajuda”, igualmente fundamental à mudança, é sentido como descabido e, sendo o comportamento inapropriado considerado como correto pela lógica de seu perpetuador, não há que se falar em mudança para este, que incapaz de desempenhar suas funções, faz uso da empresa e profissionais para descarregar as tensões de suas neuroses.



Cabe questionarmos o papel das empresas, seus gestores, setores de RH, construções organizacionais, e a necessidade destas realizar um trabalho de avaliação e autocrítica que não permita o estabelecimento de distorções em ambientes corporativos. Uma das grandes demandas atuais é a busca por ambientes de trabalho saudáveis, livres de toxidades, que promovam bem estar em conjunto com valorização profissional e desempenho empresarial.



Andréa T. de Camargo Noronha - Psicóloga


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